{"id":1605,"date":"2012-12-20T16:32:45","date_gmt":"2012-12-20T19:32:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ricardoguerra.tv\/?p=1605"},"modified":"2024-04-24T16:32:29","modified_gmt":"2024-04-24T19:32:29","slug":"qual-pais-tem-o-sistema-de-saude-ideal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ricardoguerra.tv\/index.php\/2012\/12\/20\/qual-pais-tem-o-sistema-de-saude-ideal\/","title":{"rendered":"Qual pa\u00eds tem o sistema de sa\u00fade ideal?"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Dra. Marcia Angell foi editora-chefe do New England Journal of Medicine, um dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos mais respeitados do mundo. Atualmente, a Dra. Angell \u00e9 professora no Departamento de Medicina Social da\u00a0<em>Harvard Medical School<\/em>. Sua especializa\u00e7\u00e3o \u00e9 em medicina interna\u00a0 e patologia. H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, a revista Time classificou a Dra. Angell como uma das 25 pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Ela \u00e9 uma autoridade reconhecida mundialmente\u00a0dentro da medicina e defensora<em>\u00a0<\/em>de reformas em \u00e1reas da sa\u00fade em geral e da pesquisa cient\u00edfica. Veja aqui a entrevista que me foi concedida esta semana com exclusividade:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do governo dentro de um sistema de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Eu acredito que qualquer governo decente v\u00ea como sua responsabilidade a obriga\u00e7\u00e3o de oferecer um sistema de sa\u00fade para toda sua popula\u00e7\u00e3o. Em ess\u00eancia, o governo tem a responsabilidade de supervisionar o sistema de sa\u00fade. Eu sou a favor de um sistema de sa\u00fade sem fins lucrativos, providenciado e administrado pelo governo, que garante tratamento para todos. Eu proibiria o lucro dentro da medicina, pois acredito que este seja o cerne do problema.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Ent\u00e3o n\u00e3o haveria um sistema privado que concorresse lado a lado com o sistema governamental que voc\u00ea prop\u00f5e?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>N\u00e3o. Eu n\u00e3o acredito num sistema que tenha dois n\u00edveis. Eu acho que um dos pontos fortes do sistema canadense \u00e9 que todas as pessoas fazem parte daquele sistema. Mesmo com recursos financeiros, o sujeito n\u00e3o tem a op\u00e7\u00e3o de um outro sistema de sa\u00fade, ou seja, o paciente n\u00e3o encontra uma alternativa para a op\u00e7\u00e3o que o governo oferece no Canad\u00e1. Eu acredito que nos Estados Unidos todos devem fazer parte de um sistema \u00fanico incluindo o presidente e os membros do Congresso. Dessa forma, voc\u00ea teria as pessoas mais poderosas certificando-se de que tal sistema fosse adequadamente financiado. Se voc\u00ea permitir que um sistema de sa\u00fade tenha dois n\u00edveis, o sistema p\u00fablico ficar\u00e1 inevitavelmente cada vez mais enfraquecido e menos financiado&#8230; Isso acontece porque pessoas com maior poder aquisitivo podem pagar para obter outro tipo de atendimento.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Em sua opini\u00e3o, qual pa\u00eds tem um sistema de sa\u00fade ideal? Qual o pa\u00eds que tem um sistema que seja exemplo de todos os atributos que voc\u00ea almeja? Voc\u00ea consideraria o Canad\u00e1 um bom exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 o Canad\u00e1. O Canad\u00e1 tem alguns problemas, e as prov\u00edncias t\u00eam muito controle e poder. O sistema canadense n\u00e3o inclui certos servi\u00e7os que deveria, como, por exemplo, a assist\u00eancia em longo prazo e nem sempre cobre o custo dos medicamentos prescritos. Embora eu acredite que o sistema canadense seja muito bom porque ningu\u00e9m \u00e9 exclu\u00eddo, ele n\u00e3o abrange tudo o que eu acredito que seja importante. Eu simpatizo com o sistema brit\u00e2nico do jeito que era h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s. Ao longo dos \u00faltimos anos, no entanto, tem enfraquecido. Mesmo assim, no Reino Unido se gasta um ter\u00e7o do que gastamos por pessoa nos EUA e eles t\u00eam uma maior expectativa de vida, menor taxa de mortalidade infantil e um sistema de sa\u00fade que \u00e9 considerado significativamente superior ao nosso em todos os par\u00e2metros. Na verdade, se voc\u00ea olhar para as taxas de mortalidade infantil e de expectativa de vida, nosso desempenho deixa a desejar quando comparado a outros pa\u00edses industrializados. Em termos da satisfa\u00e7\u00e3o das pessoas, eu diria que os franceses s\u00e3o os que est\u00e3o mais satisfeitos com o seu sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: O que voc\u00ea acha do sistema brit\u00e2nico ter dois n\u00edveis?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:<\/strong>\u00a0O fato de ele ter dois n\u00edveis \u00e9 uma fraqueza. \u00c9 dif\u00edcil dizer qual sistema \u00e9 o melhor de todos, mas est\u00e1 claro para mim que o sistema americano \u00e9 o pior dos pa\u00edses desenvolvidos &#8211; o mais caro e o menos adequado.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Voc\u00ea \u00e9 da opini\u00e3o que os m\u00e9dicos devem ter um sal\u00e1rio tabelado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:<\/strong>\u00a0Eu acredito que m\u00e9dicos deveriam ter um sal\u00e1rio fixo. A influ\u00eancia do dinheiro deve ser removida da pr\u00e1tica da medicina e ela pode ser vista de duas maneiras diferentes. Se voc\u00ea examinar algumas situa\u00e7\u00f5es de atendimento m\u00e9dico, voc\u00ea pode se deparar com um cen\u00e1rio no qual quanto menos o m\u00e9dico oferece ao paciente, mais ele \u00e9 pago. Ele \u00e9 pago para fazer o menos poss\u00edvel. Por outro lado, existem outras situa\u00e7\u00f5es nas quais ele \u00e9 pago para fazer o m\u00e1ximo poss\u00edvel, ou seja, a quanto mais testes ou procedimentos ele submete o paciente, mais ele ganha. As duas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o injustas. Numa delas, h\u00e1 um incentivo para oferecer o menos poss\u00edvel, e na outra, para fazer o m\u00e1ximo poss\u00edvel. O que eu gostaria de ver \u00e9 que a boa medicina fosse definida pelo que um m\u00e9dico bem preparado faria se n\u00e3o houvesse nenhum interesse financeiro. A melhor maneira de fazer isso seria atrav\u00e9s de um sal\u00e1rio tabelado, que iria obviamente variar de acordo com a especialidade. Tanto a especialidade m\u00e9dica (algumas requerem maior tempo de treinamento) como os anos de experi\u00eancia seriam fatores que determinariam qual o sal\u00e1rio a pagar. O ponto essencial \u00e9 que o sal\u00e1rio de um m\u00e9dico deve ser tabelado, sem b\u00f4nus por fazer um procedimento em vez de outro.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Qual \u00e9 a principal raz\u00e3o para os medicamentos serem muito mais caros nos EUA do que em outros pa\u00edses latinos ou at\u00e9 mesmo no Canad\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Muitos pa\u00edses t\u00eam alguma forma de controle nos pre\u00e7os de medicamentos. Tanto o Canad\u00e1 como o Reino Unido, por exemplo, t\u00eam. Eu n\u00e3o sei se o Brasil tem ou n\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o temos controle de pre\u00e7os nos EUA. Os medicamentos de marca (n\u00e3o gen\u00e9ricos) s\u00e3o duas vezes mais caros. Nos EUA, as empresas farmac\u00eauticas recebem todo o tipo de favores e privil\u00e9gios por parte do governo. Ironicamente, estas mesmas companhias afirmam ser adeptas e defensoras da iniciativa privada e do livre mercado. No entanto, tais empresas recebem isen\u00e7\u00f5es fiscais e vivem de pesquisas custeadas pelo\u00a0<strong>National Institutes of Health (NIH)<\/strong>, que \u00e9 financiado com fundos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Nos EUA as empresas farmac\u00eauticas podem cobrar o que quiserem. Durante muitos anos elas t\u00eam usado a desculpa do elevado gasto financeiro relacionado com as pesquisas como raz\u00e3o para o pre\u00e7o de medicamentos ser t\u00e3o altos, mas isso n\u00e3o passa de uma grande mentira. Na verdade, elas est\u00e3o pouco envolvidas na pesquisa, e de fato, a maior parte de suas despesas s\u00e3o decorrentes de diversas manobras de marketing para atingir os consumidores de forma indiscriminada. Finalmente, o grande objetivo dessas companhias \u00e9 maximizar o lucro a qualquer custo, ao ponto de serem considerados imorais e de serem at\u00e9 um exemplo grotesco de gan\u00e2ncia incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Os Estados Unidos e a Nova Zel\u00e2ndia s\u00e3o os dois \u00fanicos pa\u00edses do mundo onde quaisquer medicamentos que requerem prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas s\u00e3o anunciados diretamente aos consumidores na televis\u00e3o. Qual \u00e9 a repercuss\u00e3o desse modelo para o paciente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>As pessoas mais idosas quando assistem televis\u00e3o s\u00e3o bombardeadas com propaganda de diversos medicamentos de alto custo para tratar todos os tipos de condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas como a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, o colesterol alto, a azia e outros sintomas. Basicamente, \u00e9 o paciente que tem a iniciativa de procurar o f\u00e1rmaco e de obter a prescri\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico na busca de um determinado medicamento. Na verdade, o oposto deveria acontecer. Os m\u00e9dicos, em geral, est\u00e3o extremamente ocupados nos seus consult\u00f3rios, n\u00e3o tendo o tempo dispon\u00edvel para submeter o paciente a um exame completo. Assim sendo, muitas vezes \u00e9 mais f\u00e1cil ceder ao pedido do paciente receitando o medicamento requerido.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: Diversas leis, aprovadas na d\u00e9cada de 1980 nos EUA, tiveram um impacto tremendo na medicina em geral. Voc\u00ea poderia comentar especificamente sobre o impacto da lei Bayh-Dole?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Basicamente, tal lei garantiu que universidades e pequenas empresas pudessem patentear suas descobertas que estavam diretamente ligadas a recursos p\u00fablicos do\u00a0<strong>NIH\u00a0 (National Institutes of Health)<\/strong>. Antes da Lei Bayh-Dole, as pesquisas e as descobertas financiadas com o dinheiro do contribuinte eram consideradas de dom\u00ednio p\u00fablico e estavam dispon\u00edveis para qualquer empresa que tivesse interesse em beneficiar delas. Uma das principais consequ\u00eancias desta legisla\u00e7\u00e3o foi uma crescente parcialidade (falta de objetividade)\u00a0por parte de muitos pesquisadores acad\u00eamicos em v\u00e1rias de nossas institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Estes tendem a favorecer a ind\u00fastria, tornando-se empreendedores com participa\u00e7\u00e3o financeira nas empresas nas quais trabalham. Outras leis tamb\u00e9m aumentaram a vida de patente de v\u00e1rios medicamentos de marca (n\u00e3o gen\u00e9ricos), permitindo assim que as empresas cobrem pre\u00e7os exorbitantes por um determinado medicamento por um longo per\u00edodo de tempo. Parece-me que os maiores perdedores terminam sendo os consumidores.<\/p>\n<p><strong>Pergunta Blog: O que deve fazer um paciente quando ouve falar de um tratamento ou de um medicamento que \u00e9 apresentado como uma cura para tudo?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Eles devem estar sempre cientes de que os interesses comerciais s\u00e3o muito influentes dentro da medicina americana. Desta forma, acredito que os pacientes n\u00e3o devem tomar qualquer medicamento que esteja no mercado por menos de tr\u00eas anos, at\u00e9 que haja tempo suficiente para poder determinar quais s\u00e3o os problemas e os efeitos secund\u00e1rios que estes possam ter. \u00c9 obvio que h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es a estes casos, em que o paciente n\u00e3o pode e nem deve esperar para tomar um medicamento. Evidentemente, numa situa\u00e7\u00e3o de vida ou morte, como por exemplo, no caso de uma infec\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode ser tratada com um antibi\u00f3tico novo, o paciente n\u00e3o deve esperar para tomar o f\u00e1rmaco. De modo geral, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria dos medicamentos eu n\u00e3o tomaria nada que tenha entrado no mercado recentemente. Acredito que procederia da mesma forma no que diz respeito aos procedimentos m\u00e9dicos. Sempre que poss\u00edvel, sou a favor da cautela, ou seja, de aguardar por mais provas, pois, se algo parece ser bom de mais para ser verdade, \u00e9 realmente bom demais para ser verdade. Eu tenho uma maneira muito conservadora de encarar a medicina.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Quais s\u00e3o as especialidades m\u00e9dicas nas quais voc\u00ea v\u00ea maior abuso de procedimentos e tratamentos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Esse abuso o qual voc\u00ea se refere pode ser constatado em qualquer especialidade onde h\u00e1 uma utiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de medicamentos e dispositivos m\u00e9dicos como, por exemplo, na cardiologia e na ortopedia. Existem outras \u00e1reas como a dermatologia, a endocrinologia e a pediatria, em que a utiliza\u00e7\u00e3o de dispositivos m\u00e9dicos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o prevalecente. As \u00e1reas que usam alta tecnologia s\u00e3o precisamente aquelas nas quais existem os maiores abusos.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Que regras devem ser adotadas pelos editores de peri\u00f3dicos cient\u00edficos para que suas publica\u00e7\u00f5es tenham maior credibilidade e transpar\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Eu realmente acredito que os editores de peri\u00f3dicos cient\u00edficos devem continuar com as pol\u00edticas que o\u00a0<strong>New England Journal of Medicine<\/strong>\u00a0iniciou. Uma delas foi adotada em 1984 e estipulava que todos os autores de pesquisas cient\u00edficas originais tinham a obriga\u00e7\u00e3o de avisar os editores sobre quaisquer v\u00ednculos financeiros que tivessem com companhias que poderiam ser afetadas pelas conclus\u00f5es da pesquisa. O nosso peri\u00f3dico foi o primeiro a adotar essa pol\u00edtica e, eventualmente, a maioria das outras publica\u00e7\u00f5es de renome na \u00e1rea seguiram o nosso exemplo. A outra pol\u00edtica que institu\u00edmos em 1990 determinou que a divulga\u00e7\u00e3o (dos v\u00ednculos financeiros do autor) n\u00e3o era suficiente em alguns casos como, por exemplo, em artigos editoriais e de an\u00e1lise cr\u00edtica. Em outras palavras, determinamos que pesquisadores que tinham a responsabilidade de escrever editoriais ou artigos de an\u00e1lise cr\u00edtica para a nossa publica\u00e7\u00e3o que envolvessem um alto teor de objetividade e de averigua\u00e7\u00e3o dos fatos dentro da literatura, n\u00e3o poderiam ter v\u00ednculos financeiros com empresas que pudessem ser diretamente afetadas por tais mat\u00e9rias. Essa pol\u00edtica continuou durante todo o meu tempo como editora-chefe, por\u00e9m, tendo sido abandonada pelo meu sucessor. Nenhuma outra publica\u00e7\u00e3o tentou fazer o mesmo. No entanto, eu creio que essa regra era muito importante. Atualmente, eu tamb\u00e9m estou muito menos otimista (descrente da efic\u00e1cia) sobre a utilidade de regras que determinem a divulga\u00e7\u00e3o destes conflitos de interesses.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Por que o editor que lhe sucedeu n\u00e3o continuou com as mesmas regras que voc\u00ea implementou?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Ele deixou claro que encontrar pessoas renomadas sem conflitos de interesse para escrever artigos de revis\u00e3o e editoriais se tornou muito dif\u00edcil. Eu acredito que ele deveria se esfor\u00e7ar mais para encontrar essas pessoas mesmo que seja dif\u00edcil.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: O leitor deve olhar com ceticismo para peri\u00f3dicos cient\u00edficos que n\u00e3o t\u00eam regras de divulga\u00e7\u00e3o de conflitos de interesses?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Claro que sim. Sem d\u00favida nenhuma. Eu acho que uma pol\u00edtica transparente de divulga\u00e7\u00e3o seja um crit\u00e9rio muito importante quando o leitor for determinar qual peri\u00f3dico cient\u00edfico ele vai dar sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Existem muitos peri\u00f3dicos cient\u00edficos que n\u00e3o t\u00eam regras de divulga\u00e7\u00e3o de conflitos de interesse?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Sim, claro. Existem milhares de peri\u00f3dicos cient\u00edficos e muitos deles s\u00e3o meras opera\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o de an\u00fancios da ind\u00fastria de medicamentos, de dispositivos m\u00e9dicos e para publicar artigos que s\u00e3o favor\u00e1veis aos diversos anunciantes.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Qual \u00e9 a porcentagem destas publica\u00e7\u00f5es que voc\u00ea acha que n\u00e3o tem regras de divulga\u00e7\u00e3o de conflitos de interesse?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>A grande maioria delas.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Existem fontes de informa\u00e7\u00e3o isentas de interesses financeiros, nos EUA,a quem os consumidores ou os pacientes possam recorrer com o intuito de obter informa\u00e7\u00f5es de forma objetiva e imparcial sobre quest\u00f5es relacionadas \u00e0 medicina?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>Existem diversas fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade. Uma delas \u00e9 o\u00a0<strong>Public Citizen Health Research Group\u00a0<\/strong>que \u00e9 dirigido por um m\u00e9dico chamado Sidney Wolfe. Esta organiza\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou um livro intitulado\u00a0<strong>Worst Pills, Best Pills<\/strong>. Outra fonte importante \u00e9 o trabalho desenvolvido pela publica\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Consumer Reports<\/strong>, que faz uma avalia\u00e7\u00e3o de diversos medicamentos e de outros assuntos relacionados com a medicina e a sa\u00fade em geral.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Pergunta Blog: Resumindo, qual \u00e9 o problema do sistema de sa\u00fade norte-americano?<\/strong><\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 dvANKb \"><strong>Marcia Angell:\u00a0<\/strong>\u00c9 um sistema baseado nas tend\u00eancias do mercado, que distribui os cuidados de sa\u00fade de acordo com a capacidade de pagamento e n\u00e3o de acordo com as necessidades m\u00e9dicas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/esportes\/ricardo-guerra\/qual-pais-tem-o-sistema-de-saude-ideal\/\"><em><strong>Fonte: https:\/\/www.estadao.com.br\/esportes\/ricardo-guerra\/qual-pais-tem-o-sistema-de-saude-ideal\/<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Dra. Marcia Angell foi editora-chefe do New England Journal of Medicine, um dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos mais respeitados do mundo. Atualmente, a Dra. Angell \u00e9 professora no Departamento de Medicina Social da\u00a0Harvard Medical School. Sua especializa\u00e7\u00e3o \u00e9 em medicina interna\u00a0 e patologia. H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, a revista Time classificou a Dra. 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